Ali estava ela, morena dos cabelos cacheados, lábios carnudos, olhos grandes, e assustadoramente bonitos. Sentada no banco do parque como fazia em todas as manhãs de sábado, deixando o vento passar dentre aqueles cachos, e olhando fixamente para o céu.
Desde que comecei a trabalhar aqui, observo cada movimento seu, e guardo tudo em um relicário intocável.
Confesso que sinto a obsessão correndo nas veias, e me arrisco a dizer que essa é a adrenalina do amor.
Não a quero por perto, e também não quero que ela seja só minha, apenas tenho o prazer de observá-la.
Apenas fantasio seu cheiro, sua pele, e o que aqueles olhos querem me dizer.
Isso tudo parece um papo de alguém alucinado, mas é apenas um monólogo de um admirador.
É provocante o fato de ser tão viva a presença dela, mesmo que eu não a vejo, tenho certeza que aqueles olhos me observam em todas as manhãs de sábado.
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