segunda-feira, 22 de julho de 2013

Alguém entrou

Desde pequena sabia quem o era, ou ao menos quem deveria ser. Sorriu para aquela menina miúda que estava em seu colo, e espantado com a situação a chamou de sua pitutinha.
Fazia-se planos por uma vida eterna, por um amor incondicional.
As coisas não andaram como pensava, o tempo passou e as coisas mudaram bruscamente, de forma que tudo fugiu de sua mão.
Quando se era tempo para impedir, não conseguiu.
Quando cogitou na ideia de segurar, já estava longe demais.
Do aeroporto para nunca mais, ou até então nunca mais.
Alguém entrou, e não foi em minha vida, muito menos em meu coração.
Apenas foi em uma conversa simples e curta, em que expressava-se apenas um querido e repetitivo "eu te amo".
Com olhos tampados, ou não, apenas sabemos que esse alguém já não sabe de mais nada, sabemos o que foi perdido.
Agora tenho a certeza de que alguém entrou, porém apenas para dizer o mesmo eu te amo.
Mas que droga, alguém entrou !



Pai ♥

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Consumidora de sonhos

Ao invés de me frustrar, apenas me divertia. Fuçava aqui, fuçava lá. Achei umas moedas que não havia valor algum, quer dizer, não para o mundo de hoje !
Sai correndo para o meu quarto, como se houvesse achado uma espécie de tesouro, olhei para os lados como se acabasse de sair de um roubo milimétricamente planejado. Fiz cara de quem não tinha nada, verifiquei se a porta estava fechada, não ela não estava, cadê esta chave ?
Corri, corri como se estivesse em uma corrida, deslizei pelo corredor, corri tanto que cheguei a sentir dor. Lá estava, minha mãe havia escondido a minha chave, mas como sempre, ela esconde muito mal !
Corri de volta, como se estivesse correndo atras do pote de ouro no fim do arco-iris; tranquei a porta, abri minha gaveta, tirei minhas roupas e finalmente peguei minha caixinha, sem contar nos meus lápis e meu álbum, o álbum dos sonhos.
Lá tinha de tudo, cada foto com sua fase, cada fase com seu momento e cada momento com um sentimento.

Eu colecionava de tudo ! Tudo mesmo !

Quando pequena ouvi minha mãe falar que minha vó era consumidora, eu não sabia o que isso significava só sabia que queria ser uma. Eu olhava para o quarto e as coisas caiam sobre mim, como se cada coisa ali tivesse vida.

Foi então que descidi aos meus 8 anos, que quero ser uma consumidora, alias não uma consumidora qualquer, mas uma consumidora de sonhos !

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Pequena silhueta.

Seus olhos clamam por algo em anonimato.
Sua boca pede para ser questionada.
E sua mente proclama por liberdade.
Os ventos correm por seus cabelos e o faz pensar como o mundo é tão relativo.
Seu coração dispara mas sem saber o real motivo.
Hoje não é um dia qualquer.
Mas você também não sabe que dia é hoje.
Para você é a dura rotina de sempre..
Quem está a chegar em meu caminho ?
Parece alguém distante e não consigo decifrar esta pequena silhueta ainda..

Querer

Tudo começou quando sai do útero da minha mãe. Pedi para meus pulmões funcionarem, chorei pela dor e desconforto que estava sentindo. Logo em seguida chorei para me entenderem, entenderem que eu estava com fome!
Abri os olhos para ver o mundo, pedi pela primeira coisa que eu vi, pedi para cessar a dor que estava sentindo por causa dos meus dentinhos, pedi para andar, pedi para alcançar.
Depois vieram os brinquedos, que não eram bonecas, mas algo que realmente era legal. Ao entrar em uma loja de brinquedos meus olhos brilhavam e eu.. queria tudo o que tinha ali. Sai chorando, por não poder comprar duas coisas ao invéz de uma só. E além disso tive que ouvir minha mãe dizer que nunca mais me levará em uma.
Depois vieram os lanches, lanches com pequenos brindes.. minha vontade era colecionar e não comer, pena que pude ir poucas vezes e não deu para colecionar.
Depois vieram os materiais escolares, entrar em uma loja onde só havia cadernos legais era minha diversão, só que eu só usava um caderno por ano..
Depois vieram as roupas, mas que fase horrível, queria tudo o que tinha ali, porém não poderia sair com absolutamente nada. E assim foi, passaram por maquiagem, anéis, esmaltes, carrinhos, adesivos, chaveiros e especialmente livros...
Até que então eu descobri um prazer maior, é o prazer do querer. Por toda minha vida eu quis, quis algo que não pude, chorei por isso. Quis um abraço, um beijo, um sorriso, um carinho, um recado, um consolo, um conforto.. Chorei por tudo isso também.
Aprendi que não é por que quero, que eu irei ter. Mas que saco, essa frase clichê de "querer não é poder". 
Cada um tem o seu prazer, porém todos tem um em comum.. o prazer do querer.

Algo mudou

 Ando pelas ruas monótonas da manhã de domingo. Compro meu café na padaria do seu José, onde a sete anos compro em todos os domingos o mesmo café e o jornal. Sento na mesa mais afastada do balcão porque sei que dali alguns minutos começa o movimento do lugar, começo a ler as notícias do jornal enquanto dou uns goles no terrível café de seu José- que alias de uns dois anos pra cá o café só vem piorando cada vez mais, não sei porque encisto em vir tomar café bem aqui se do outro lado da rua tem uma nova cafeteria em que todos comentam - volto a prestar atenção nas notícias da cidade.
 Mas já não aguento mais ler sobre as mesmas coisas da cidade, parece que o jornal não é renovado todos os dias, e então vou direto a parte onde mostra as melhores peças de teatro, sempre tenho a esperança de vê-la novamente por ali.
 Folheio as páginas mas nada encontro, acabo de tomar meu café e vou embora, o lugar já começou a encher - odeio lugares cheio de pessoas - grito para seu José marcar na conta mais uma vez. Ó pobre do seu José, ele sim é um homem paciente com seus clientes, sei que devo a ele, e um dia o pagarei, até esse dia ainda vou toma uns goles de café nos domingos que há de vir por ai.
 Sento na praça, o sol começa a se abrir e tirar aquele vento frio das manhãs de domingo, tenho que ir embora logo, as mães irão chegar com aquelas terríveis crianças barulhentas que não respeitam o silêncio da manhã. Me levanto e vou até o bar, como todo domingo lá está o filho do seu João dando comida para os cachorros da rua e abrindo as portas do bar, mas há algo novo naquele bar por hoje, há uma moça, uma pequena moça de cabelos castanhos e olhos amendoados, nova e cheia de vida, peço um maço de cigarro para ela, quem será ela ? Me lembra tanto a minha amada que perdi a sete anos atrás, enquanto admiro o entusiasmo da menina que baila por entre as mesas, ela pergunta qual é o cigarro que quero.. É tão estranho porque venho a muito tempo comprar cigarros aqui desde que seu José desistiu de vendê-los para mim e a tanto tempo ninguém me pergunta nada, apenas me dá o maço e vira as costas para atender alguém "mais interessante", peço um Carlton vermelho, ela abre um sorriso e me diz o preço.. Como se cobra-se o cigarro, a muito tempo ninguém me cobra mais nada. Mas logo o filho do seu João grita para ela que não adiantaria nem cobrar.
 Ela me olha profundamente e diz que está tudo bem, e que da próxima vez eu pagaria à ela - próxima vez ? Mal sabe ela que a cinco anos eu não pago este bar - sento para fora do bar e fico olhando as pessoas passarem pela rua, todas cheias de vidas e alegres.
 A mocinha dos olhos amendoados sentou-se ao meu lado e disse:
  - Me desculpe pelo meu irmão dizer assim do senhor, sei que pagará para mim.
 E me senti na obrigação de pagar á ela, mas não era uma obrigação chata em que me cobrava, mas algo inocente. Seu que daquele domingo em diante algo mudou.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Já é tarde..

A noite cai em minha cidade.
Luzes ofuscam as estrelas postas ali uma por uma.
É como se tudo o que existisse fosse montado a cada dia de uma forma diferente.
Olho o que há em minha volta.
Não consigo me satisfazer com que vejo.
Tudo que constroem apagam a beleza que é montada pela natureza todos os dias.
Eu respiro fundo..
Os ventos estão mais densos, não são os mesmos ventos em que enfeitaram minhas noites no passado.
Olho o chão de minha casa..
Não é o mesmo chão em que imagino nos meus sonhos.
Não tem grama, nem montanhas, nem flores, nem árvores.
Não tem a cantoria matinal dos pássaros, nem o céu limpo como em desenhos de quando era criança.
Não tem o silêncio da manhã em que deveria ser respeitado, nem o barulho frenético das noites no campo.
Ah...
Tem pessoas, alias aquilo são pessoas ?
Pra mim, mais parecem protótipos vindos de uma fábrica onde exigem total objetividade.
Não respiram mais do que é permitido, não aprendem mais do que é pedido.
Não piscam, não amam, não vivem.
Vejo animais na rua, alias restos de animais..
Porque a fábrica de humanos como havia dito, não permitem amor a animais.
São jogados como lixo por entre ruas escuras e abandonadas.
São recebidas em casas, são amadas por instantes e logo jogadas ao vento.
É época de Natal..
Não vejo mais famílias, nem casas enfeitadas.
Não vejo milhares de carros parados na rua quando é ano novo.
Não vejo nem se quer as crianças pedindo doces no primeiro dia de mais um ano novo como de costume.
É estranho não ?
É tudo diferente da vida em que está acomodado ?

Contrassenso

Vamos menina.
O dia já amanheceu.
Se oponha ao sistema pré-estabelecido.
Sorria.
Reveja o que é senso.
Não se obstrua dentre os ventos do amanhecer.
Queire flutuar acima de nossas cabeças.
Reflita os dizeres do passado.
Não se canse, por favor..
É só testar a capacidade de todos.
É só libertar algo que vem sendo oprimido desde os tempos antigos.
Não deixe nada passar em branco.
Queira a verdade e jamais se cale diante de duas ou mais sombras.

Bom moço atual

Acordo cedo e ligo a televisão, a essa hora só passa noticiários, a cada canal que passo é inevitável ver a lástima que ocorre ainda mais nos tempos de hoje.
É como se a mídia não propõe um colóquio a todos, mas apenas corroem nossas mentes, tornando nossas fantasias reais mas obstruindo a "face" do nosso mundo. Ah cada minuto há pessoas que matam, roubam e destroem por prazer, decidem por si mesmo o futuro de milhares de famílias. E logo em seguida vem aqueles que com um sorriso sarcástico e uma cara de bom moço roubam e matam indiretamente famílias e famílias por ai, e sempre com a mesma frase de "vou ajudar nosso país".

A pequena

Ao fechar os olhos a pequena menina sente uma angústia dentro daquele corpo vazio.
Ao olhar o céu sente a angústia dentro de si por ser tão tola por tanto tempo, ser tão pequena aos olhos do mundo e seus habitantes. Sente-se confusa com o amor, as pessoas, o dinheiro, a vida e a morte.
Não sabe como procurar seus refúgios pois não sabe nem seus problemas, sente falta de algo que jamais saberá por qual razão não se pode conquistar.
Olha ao seu redor.. Respire pequena é só uma fase, seus pensamentos são pequenos para suas atitudes.. e a vivência ?
Bom, a vivência a gente coloca na bagagem e segue adiante.