segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Dentro da rotina

Logo eu, que jurava de pé junto que nunca iria entrar em uma rotina e jamais cairia em uma zona de conforto. Mas não adiantou.
Hoje observo cada passo meu, e vejo que tudo é uma rotina. Até o fato de comer algo apenas porque sempre como, ou dizer algo apenas porque sempre digo.
Odiar o cotidiano, é como odiar cada movimento que eu faça, cada letra que aqui escrevo, e cada pensamento que passa em minha mente. É horrível perceber que nada mais passa de uma completa  rotina. Mas que droga, por que costumo jurar essas coisas?
Agora vou ter que mudar tudo de novo.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Emaranhado de nós

Chegando mais um dia em que prevejo um final para uma história. Só lamento que seja o final de uma história que poderia ser bonita.
Entramos em uma sintonia, ligados apenas pelo desejo de nos usar, mas nada disso importou enquanto tudo acontecia.
Acabamos nos emaranhando nos nossos desejos, entrando num constante  uso e desuso de ambos.
E as coisas acabaram se desenrolando em linhas, como essas aqui, da qual clamam por um novo emaranhado.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Dia da melancolia

Hoje é mais um daqueles dias nublados, que eu tiro o dia para deixar a melancolia tomar conta de mim. Acordo, preparo meu café e volto direto para a cama, fico ali, parada como se o mundo estivesse parado comigo. 
Coloco pra tocar a música mais melancólica da minha playlist, que no caso evanescence é a banda mais adequada para o meu momento. E apenas fico ali, desfrutando de cada som, cada pensamento que passa em minha mente. 
Adoro dias assim, pois é o único dia que consigo tirar a euforia de lado e deixar minha tristeza tomar conta, e se  você quer saber, não é ruim deixar a tristeza tomar conta de você por um dia, afinal a tristeza é necessária.
Engana-se você, que sempre se faz de forte, achando que essa é a solução. Engana-se você, se está lendo isso com um pré julgamento mental, afinal hoje eu tirei o dia para minha melancolia.
Hoje não é um dia qualquer, é o meu dia. Posso rever minhas angústias de forma sutil, posso me sentir paralisada em meio de tanta agitação.
Eu já mencionei, que adoro dias como esse ?

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Saudade

Ando me embebedando de saudade, querendo viver numa constante ressaca para nunca mais ter que senti-la. Ando tropeçando por entre as mesas de um bar mal frequentado, apenas procurando um motivo para descontar toda a minha ira. Começo a quebrar os copos, para chamar atenção de todos no local. Acendo meu cigarro, estufo o peito, e então dou liberdade para me sentir um completo babaca, envenenado pela própria saudade.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Suas correntes

Haviam correntes das quais prendiam sua liberdade. E inocentemente você quis fugir de tudo isso. As mesmas correntes que deveriam entrelaçar seu coração com outro, prendeu sua mente, e te fez repudiar qualquer outro tipo de amor que estava por vir. Não há explicações, para tamanha brutalidade do acaso, muito menos para tamanha audácia do mesmo. 
Quis te acalmar, mas apenas te agitou. 
Não te fez bem, e não te ajudou.
Nem ao menos te ligou, para dizer o que rolou.
Pobre menina, que mais uma vez está sentada diante de seu espelho, encenando dramáticamente seu choro. Gritando aos quatro ventos o quão estava angustiada com o mundo. 
Tão coagida dentre seus enormes cabelos, olhava para si mesma e não gostava do que a imagem lhe dizia. 
Tolamente tentou persuadir sua própria mente, sorrindo dentre algumas lágrimas, dançando dentro de alguns buracos, e fugindo de alguns corações.

Cadê suas correntes ?

domingo, 24 de novembro de 2013

Aonde está você ?

Ele entrou em você, sugou toda sua energia e te deixou ali, jogada.. em prantos. Tudo isso começou com apenas uma troca de olhares,  um beijo, uma noite. Tudo por um deslize que você já estava disposta a não cometer nunca mais. Sei que ele esperava gritos, lágrimas e espanto... Agora olha só como você retribuiu, apenas com um singelo sorriso. E ainda assim tenho medo de como você se encontra agora.

Assustador não é mesmo ?

Não sei o que está passando em sua mente, não consigo te decifrar. Você já não é mais a mesma pessoa transparente, já não sei como lidar com sua ausência. Onde posso te encontrar?
Mais uma vez lembro de seus olhos, espantados e ingênuos, você já não sabia assimilar o que estava acontecendo. Choro.. choro por você, por sua falta.

É assustador não é mesmo ?

Você apareceu, rasgada, maltratada e machucada.
Só me pergunto como consigo te descrever  de tal forma, mas não consigo  te ver.

sábado, 16 de novembro de 2013

não tema

Das correntes que te prendiam, façam virar pó.
Dos medos que aprisionavam, acrescente na coragem.
Das lágrimas já derramadas, forme um grande lago.
Do lago formado, cultive a vida.

Das tristezas que sentira, leve como aprendizado.
Das dúvidas que surgira, transforme-as em ação.
Dos gritos engolidos, devolva em muralhas.
Das muralhas feitas, use como escudo.

Da força que guardou, mostre que és forte.
Do amor que apanhou, receba o carinho.
Da trilha longa que caminhou, corra com o mais veloz carro que tiver.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Overdose

Logo cedo, uma mistura de cheiros se apresentou.
Dentre eles, veio o seu.
Que abriu portas para a saudade.
E se misturou com a vontade, de te ter de volta no meu caminho.
E foi assim o dia todo, uma overdose de você.
Mas algo chegou, e quebrou esse cotidiano de amor mal resolvido.
Uma brisa, que fez tudo voar e se libertar.
Inclusive você.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Mistura

O problema é ter medo de perder ou deixar de fazer. Esse deve ser o meu problema. Não me sinto bem pensando que poderia ter feito melhor, que poderia ter dito palavras mais bonitas e montado textos mais produtivos. Não me sinto bem pensando no que poderia ter falado, qual abraço deveria ter apertado ou qual boca deveria ter beijado.

E aos poucos deixei de gostar de algumas pessoas, alguns lugares, algumas imagens. Deixei de querer as mesmas coisas, as mesmas atenções e até mesmo as mesmas carícias.

É estranho pensar no fato de que abandonei tanta coisa por querer algo inalcançável, mas que por um momento senti falta de tudo que deixei. É estranho pensar no meu arrependimento momentâneo, e desejar ao mesmo tempo o velho e o novo.

Essa mistura de desejos é o que me mata.. é o que está me matando.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Temos medo

Temos medo de sermos aprisionados como tempos da ditadura.
Temos medo de nos afogarem na censura.
O mesmo medo que nos da coragem.
Anda esculpindo como as pessoas agem.
Mas que medo insolente é esse ?
Que faz o primeiro grito ecoar dentre a multidão.
E faz alguém chorar por perder um irmão.
Que agita a mais pura adrenalina para gritar por direitos.
Mas que nos deixa cegos diante de um humano com defeitos.
Do qual anda fardado pelas ruas, sem perceber o que está reprimindo.
Recebendo ordens de alguém que está mentindo.
O caos, gerado pelo medo da multidão jamais acabará.
Se ninguém entender que com violência nunca mudará ! 

terça-feira, 29 de outubro de 2013

O próximo salto

Bye, bye, bye, baby, bye bye.
Foi apenas isso que ela gritou para o mundo. Após isso, entrou em seu Cadillac Eldorado 1956, e foi em busca de sua felicidade.
Cabelos ao vento, como se ela não estivesse mais presa em nada e nem ninguém. Como se o mundo estivesse ali esperando por ela de braços abertos, e a única coisa que ela precisaria fazer, era saltar. 
Um salto, apenas um salto e tudo bastaria... 
E então, determinada para fazer o que havia planejado a dias, correu em uma estrada como se a sua oportunidade tivesse criado pernas e naquele momento, estava fugindo dela. Ela correu.. Correu como se o tempo fosse acabar, como se não houvesse mais uma ponte para pular, uma estrada para percorrer, e um mergulho para desfrutar. 
Foi quando ela resolveu, em seu último segundo saltar. Saltou como um pássaro, de braços abertos para o infinito, para a liberdade, para tudo que sempre sonhara. 
Mas agora ela está voltando, uma corda em seu pé a puxa. E ansiosamente espera para o próximo salto.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Ai está você !

Ai está você, consigo sentir sua respiração.
Você está diante de mim, me fazendo sorrir como todas as vezes.
Me fortalecendo a cada dia, e me provando o quanto posso ser feliz.

Ai está você, me observando como se nunca mais fosse me deixar fugir.
Dizendo palavras, das quais me dominam completamente.
Posso até te sentir por perto.

Por um instante, vejo você passando dentre as imagens das quais eu guardo a sete chaves.
Por um momento, cogitei na ideia de você estar aqui, esparramado em minha cama, enquanto escrevo isso.
Por um deslize, virei para confirmar.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Decisões

Desde quando nasci, tenho tomado decisões da qual está, ou não, ligadas ao meu futuro e ao futuro de pessoas importantes pra mim. Tomar decisões nunca foi meu forte. 
Não disse que não faço isso, pelo contrário, a vida me faz tomar decisões o tempo todo.
Há sempre uma correria pra decidir o que comer, o que vestir, ou coisas mais sérias como, qual profissão seguir, quem eu devo me afastar, qual caminho devo seguir.
O fato de não gostar de tomar uma decisão que pode mudar minha vida bruscamente, me faz querer guardar todas essas dúvidas, e deixar as coisas rolarem sozinhas.
Mas... E quando eu tiver que decidir algo realmente importante, o que vou fazer ?
Viu só.. Isso tudo gruda em mim, como se o mundo tivesse que ser resolvido com urgência. 
Como se tudo fosse acabar amanhã, e antes do fim minha obrigação é decidir as pendências...
Pra isso estou fazendo um texto, enquanto a vida está esperando mais uma decisão minha. 
E agora, qual será o próximo julgamento ?

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Inacabado.

Há tantos amores mal resolvidos, brigas mal discutidas, beijos mal degustados, abraços mal apertados, carinhos mal recebidos... 
Há tanta coisa inacabada, que eu poderia criar um mar repleto de metades.

Já acordei, e não acabei de passar meu batom vermelho por pura preguiça, não acabei meu café por falta de pó, não resolvi minhas pendências e coloquei a culpa toda na falta de força.
Não continuei a chorar pra cara não ficar inchada; deixei de sorrir, pois achava que estava passando vergonha; parei de dançar, só porque não havia ninguém dançando comigo; não fui ao karaoke, achando que cantar e pagar mico era a mesma coisa.

Como fui tola em todos esses momentos, deveria ter chorado mais, dançado mais, sorrido mais, cantado mais. Gritado ao mundo, o quanto sou feliz, e o quanto queria partilhar isso com todos.
Deveria ter feito inveja na tristeza, ter dado risada da depressão, e cutucado o mau humor. Deveria pular em cima do medo, correr atrás da incerteza, e brincado com o nojo.
Devo parar de achar que devo fazer algo, e correr para resolver minhas pendências !

E lá vou eu...

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Outra dimensão

Sempre achei que existia uma dimensão, da qual todas as coisas que larguei, foram jogadas lá. No meio de tantas fotos, textos e caminhos, você se encontra por ali.

Jurei não mais escrever sobre você,entrar em contato ou saber como está. Dentre essas juras e perjuras, me peguei esperando você. Não queria perdê-lo, e muito menos transformá-lo numa inspiração de alguns parágrafos. E sem querer, foi isso que se tornou. Nada além de linhas e palavras jogadas.

Hoje já não quero mais ouvir sua voz, tocar sua pele, receber um sorriso, ou qualquer outra coisa vinda de você. Enjoei das suas manias, do teu cheiro, das tuas falas e piadas. Não te vejo em minha cama, nem na minha casa, ou em uma esquina qualquer.

Sem querer, você se emaranhou nas fotos, frases e músicas, da qual eu joguei fora para esta nova vida. Deixou de ficar mais um tempo, e preferiu nadar na minha dimensão.

Estou farta de você, tão farta ao ponto de te afundar nessa imensidão, mas deixá-lo ali, guardado só pra mim. 

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Você chegou, e quero te ver.

Prometi jamais chorar por ti, não sentir sua falta e nunca mais te ver. Prometi não dirigir uma palavra se quer, e prometi não te magoar. 
Mas você está aqui, chegou de muito longe, e finalmente está aqui...
Não tem como eu ocultar todas as lágrimas presas a anos, não tem como não querer pular em seu colo e voltar a ser uma criança, matar toda essa saudade que sinto de ti. 
Agora desejo mais do que nunca, te ver, ficar em teus braços e me sentir protegida por um pai.
Eu espero uma palavra sua, um carinho seu, ou apenas que me chame de filha.
Quero te conhecer, saber quem é você e tentar achar uma semelhança entre nós. 
Será que meu cabelo realmente é igual o seu? Que minhas atitudes lembram a você ? Sou quieta como você ?
E agora você está aqui perto, e eu quero te ver.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Espera agonizante

Pela manhã já começo a tirar o costumeiro batom vermelho, o lápis borrado e todas as lembranças da noite anterior. Apenas queria que minha tristeza fosse retirada em um papel, que essa ansiedade saísse em um banho qualquer de chuva. Faço o mesmo café forte, folheio as mesmas páginas, faço tudo o que a minha rotina manda, mas já estou farta disso tudo.
Visto minha armadura para o dia a dia, e cansada vou para o trabalho.
Por que devo fazer isso ? Não posso ao menos me trancar nesse quarto escuro e esperar passar os próximos meses ?
Esta espera toda está sendo agonizante e esperançosa, procurando por algo diferente, que não sei se encontrarei.
Tudo isso vem de uma ânsia de querer mudar de cotidiano, de pessoas e de vida.
Respirar outros ares, participar de novos atos, gritar por outras causa... 
Ah, que venha dezembro, por favor.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Perfeito seria...

Hoje quero um refúgio, uma fuga ou um lugar inusitado.
Sentir que estou livre, desmanzelada e feliz.
Tirar do fundo da gaveta aquele conjunto ridículo e lembrar o quanto ele é confortável.
Dormir sem a necessidade de tirar o batom vermelho, mas acordar e já estar de cara limpa.
Jogar o relógio fora, deixar de fazer as coisas ou ignorar alguém que me chama.
Escrever sem alguém atrapalhar, ou jorrar palavras em um longo texto aplausível.
Não quero apenas um ou dois dias só pra mim, quero um ano ou mais.
Quero não ter que organizar minhas ideias, muito menos organizar pessoas.
Mas não entenda que quero ficar trancada em um lugar!
Meu refúgio é ser o mais livre possível.
Perfeito seria se eu pudesse viver ao menos um dia como os pássaros.
Voar dentre as nuvens, flores e pessoas, como se tudo fosse uma suave dança.
As vezes até ganhar um elogio sincero de um admirador de pássaros!
Perfeito seria se eu pudesse viver como uma abelha.
Sair a procura das mais belas flores, disseminando a vida de outras.
Perfeito seria se eu pudesse viver como um peixe grande.
Nadar nas correntezas de uma água limpa, e permanecer ali a vida toda.
Perfeito seria se eu pudesse viver como um gato, mas não um gato domesticado!
Andar pelas ruas dentre a escuridão noturna, conhecer todos os cantos da cidade e ter sete vidas.
Na verdade, perfeito seria se eu não precisasse premeditar meu futuro, minha outra vida, ou
meu outro amor.
Perfeito mesmo, seria se eu não quisesse que tudo fosse perfeito!


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Encontro casual

Acabo de te encontrar em uma esquina qualquer, um encontro casual, como se nas entre linhas as pendências deveriam ser resolvidas!
Algumas palavras foram deixadas de lado, olhares foram ocultados e então criou-se um uníssono som, do qual clamava por uma solução.
Sinto que essa será a última vez que poderei ver teu sorriso, pois agora tudo está resolvido.
Confesso que sendo assim gostaria do inacabado, incerto e imprevisível.


quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Se for pra morrer, tem que morrer bonito.

Seria revoltante morrer por ter fumado tanto, ou por alguém ter bebido tanto.
Seria revoltante morrer com a sensação de que não cumpriu sua meta.
Seria revoltante morrer sem ter cantado a música mais bonita para alguém.
Seria revoltante morrer sem conhecer outras culturas.
Seria revoltante morrer sem ter ensinado algo.
Morrer sem ter passado alguma vergonha.
Morrer sem ter se arriscado a cantar rouca.
Morrer por alguma intriga, ou com questões mal resolvidas.
Morrer sem ajudar alguém com a sua morte.
Morrer sem ter dado aquela risada gostosa no meio de todos.
Morrer sem ter superado algum limite.
Morrer sem lutar por algum direito.
Ou morrer sem defender alguma ideia da qual acredita.
Sem ter ajudado o mundo, ou sem ter feito a melhor viagem da sua vida.
Sem ter escrito um texto para sua mais amada amiga.
Sem ter conversado com diversas pessoas.
Sem ter parado no meio da correria do dia a dia e observado o céu.
Sem ter imaginado a hipótese de conseguir voar, e ser livre.
Seria revoltante morrer, e ver alguém chorando por não ter dito tais palavras.
Seria revoltante morrer sem ter aprendido algo com alguém.
Seria revoltante morrer sem ter encontrado a paz.
Seria revoltante morrer em um quarto de hospital, ou pior em uma fila de hospital.
Seria revoltante morrer sem fazer uma loucura no meio do dia.
Seria revoltante morrer e deixar de ter vivido a melhor história por medo.
Ou morrer sem ter dado aquele abraço na hora do orgulho.
E seria tão revoltante morrer, pensando em quanto é revoltante o fato de morrer.
Então se for pra morrer, tem que morrer bonito !







quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Eu trocaria tudo.

Ele se aproximou e covardemente cogitou na ideia de fazer algo para si.
Não pensou nas consequências e muito menos que estava machucando alguém.
Esqueceu de tudo o que tinha, jogou para o alto a vida que formou.
E tocou na mais singela figura da qual estava ali.

A raiva da qual eu sentia, passou.
Angústia envolvida em tudo, se foi.
Apenas me resta a dúvida, dúvida do que aconteceu.

Não esqueço, e não tenho dúvidas das imagens que se passaram.
Mas me resta a dúvida do que aconteceu dentro de ti.
Eu trocaria tudo o que tenho agora, apenas para saber o real motivo.
Por que fizestes isso, logo tu que eu considerava como um pai ?

Eu trocaria tudo o que tenho agora, por uma real resposta.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Alguém entrou

Desde pequena sabia quem o era, ou ao menos quem deveria ser. Sorriu para aquela menina miúda que estava em seu colo, e espantado com a situação a chamou de sua pitutinha.
Fazia-se planos por uma vida eterna, por um amor incondicional.
As coisas não andaram como pensava, o tempo passou e as coisas mudaram bruscamente, de forma que tudo fugiu de sua mão.
Quando se era tempo para impedir, não conseguiu.
Quando cogitou na ideia de segurar, já estava longe demais.
Do aeroporto para nunca mais, ou até então nunca mais.
Alguém entrou, e não foi em minha vida, muito menos em meu coração.
Apenas foi em uma conversa simples e curta, em que expressava-se apenas um querido e repetitivo "eu te amo".
Com olhos tampados, ou não, apenas sabemos que esse alguém já não sabe de mais nada, sabemos o que foi perdido.
Agora tenho a certeza de que alguém entrou, porém apenas para dizer o mesmo eu te amo.
Mas que droga, alguém entrou !



Pai ♥

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Consumidora de sonhos

Ao invés de me frustrar, apenas me divertia. Fuçava aqui, fuçava lá. Achei umas moedas que não havia valor algum, quer dizer, não para o mundo de hoje !
Sai correndo para o meu quarto, como se houvesse achado uma espécie de tesouro, olhei para os lados como se acabasse de sair de um roubo milimétricamente planejado. Fiz cara de quem não tinha nada, verifiquei se a porta estava fechada, não ela não estava, cadê esta chave ?
Corri, corri como se estivesse em uma corrida, deslizei pelo corredor, corri tanto que cheguei a sentir dor. Lá estava, minha mãe havia escondido a minha chave, mas como sempre, ela esconde muito mal !
Corri de volta, como se estivesse correndo atras do pote de ouro no fim do arco-iris; tranquei a porta, abri minha gaveta, tirei minhas roupas e finalmente peguei minha caixinha, sem contar nos meus lápis e meu álbum, o álbum dos sonhos.
Lá tinha de tudo, cada foto com sua fase, cada fase com seu momento e cada momento com um sentimento.

Eu colecionava de tudo ! Tudo mesmo !

Quando pequena ouvi minha mãe falar que minha vó era consumidora, eu não sabia o que isso significava só sabia que queria ser uma. Eu olhava para o quarto e as coisas caiam sobre mim, como se cada coisa ali tivesse vida.

Foi então que descidi aos meus 8 anos, que quero ser uma consumidora, alias não uma consumidora qualquer, mas uma consumidora de sonhos !

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Pequena silhueta.

Seus olhos clamam por algo em anonimato.
Sua boca pede para ser questionada.
E sua mente proclama por liberdade.
Os ventos correm por seus cabelos e o faz pensar como o mundo é tão relativo.
Seu coração dispara mas sem saber o real motivo.
Hoje não é um dia qualquer.
Mas você também não sabe que dia é hoje.
Para você é a dura rotina de sempre..
Quem está a chegar em meu caminho ?
Parece alguém distante e não consigo decifrar esta pequena silhueta ainda..

Querer

Tudo começou quando sai do útero da minha mãe. Pedi para meus pulmões funcionarem, chorei pela dor e desconforto que estava sentindo. Logo em seguida chorei para me entenderem, entenderem que eu estava com fome!
Abri os olhos para ver o mundo, pedi pela primeira coisa que eu vi, pedi para cessar a dor que estava sentindo por causa dos meus dentinhos, pedi para andar, pedi para alcançar.
Depois vieram os brinquedos, que não eram bonecas, mas algo que realmente era legal. Ao entrar em uma loja de brinquedos meus olhos brilhavam e eu.. queria tudo o que tinha ali. Sai chorando, por não poder comprar duas coisas ao invéz de uma só. E além disso tive que ouvir minha mãe dizer que nunca mais me levará em uma.
Depois vieram os lanches, lanches com pequenos brindes.. minha vontade era colecionar e não comer, pena que pude ir poucas vezes e não deu para colecionar.
Depois vieram os materiais escolares, entrar em uma loja onde só havia cadernos legais era minha diversão, só que eu só usava um caderno por ano..
Depois vieram as roupas, mas que fase horrível, queria tudo o que tinha ali, porém não poderia sair com absolutamente nada. E assim foi, passaram por maquiagem, anéis, esmaltes, carrinhos, adesivos, chaveiros e especialmente livros...
Até que então eu descobri um prazer maior, é o prazer do querer. Por toda minha vida eu quis, quis algo que não pude, chorei por isso. Quis um abraço, um beijo, um sorriso, um carinho, um recado, um consolo, um conforto.. Chorei por tudo isso também.
Aprendi que não é por que quero, que eu irei ter. Mas que saco, essa frase clichê de "querer não é poder". 
Cada um tem o seu prazer, porém todos tem um em comum.. o prazer do querer.

Algo mudou

 Ando pelas ruas monótonas da manhã de domingo. Compro meu café na padaria do seu José, onde a sete anos compro em todos os domingos o mesmo café e o jornal. Sento na mesa mais afastada do balcão porque sei que dali alguns minutos começa o movimento do lugar, começo a ler as notícias do jornal enquanto dou uns goles no terrível café de seu José- que alias de uns dois anos pra cá o café só vem piorando cada vez mais, não sei porque encisto em vir tomar café bem aqui se do outro lado da rua tem uma nova cafeteria em que todos comentam - volto a prestar atenção nas notícias da cidade.
 Mas já não aguento mais ler sobre as mesmas coisas da cidade, parece que o jornal não é renovado todos os dias, e então vou direto a parte onde mostra as melhores peças de teatro, sempre tenho a esperança de vê-la novamente por ali.
 Folheio as páginas mas nada encontro, acabo de tomar meu café e vou embora, o lugar já começou a encher - odeio lugares cheio de pessoas - grito para seu José marcar na conta mais uma vez. Ó pobre do seu José, ele sim é um homem paciente com seus clientes, sei que devo a ele, e um dia o pagarei, até esse dia ainda vou toma uns goles de café nos domingos que há de vir por ai.
 Sento na praça, o sol começa a se abrir e tirar aquele vento frio das manhãs de domingo, tenho que ir embora logo, as mães irão chegar com aquelas terríveis crianças barulhentas que não respeitam o silêncio da manhã. Me levanto e vou até o bar, como todo domingo lá está o filho do seu João dando comida para os cachorros da rua e abrindo as portas do bar, mas há algo novo naquele bar por hoje, há uma moça, uma pequena moça de cabelos castanhos e olhos amendoados, nova e cheia de vida, peço um maço de cigarro para ela, quem será ela ? Me lembra tanto a minha amada que perdi a sete anos atrás, enquanto admiro o entusiasmo da menina que baila por entre as mesas, ela pergunta qual é o cigarro que quero.. É tão estranho porque venho a muito tempo comprar cigarros aqui desde que seu José desistiu de vendê-los para mim e a tanto tempo ninguém me pergunta nada, apenas me dá o maço e vira as costas para atender alguém "mais interessante", peço um Carlton vermelho, ela abre um sorriso e me diz o preço.. Como se cobra-se o cigarro, a muito tempo ninguém me cobra mais nada. Mas logo o filho do seu João grita para ela que não adiantaria nem cobrar.
 Ela me olha profundamente e diz que está tudo bem, e que da próxima vez eu pagaria à ela - próxima vez ? Mal sabe ela que a cinco anos eu não pago este bar - sento para fora do bar e fico olhando as pessoas passarem pela rua, todas cheias de vidas e alegres.
 A mocinha dos olhos amendoados sentou-se ao meu lado e disse:
  - Me desculpe pelo meu irmão dizer assim do senhor, sei que pagará para mim.
 E me senti na obrigação de pagar á ela, mas não era uma obrigação chata em que me cobrava, mas algo inocente. Seu que daquele domingo em diante algo mudou.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Já é tarde..

A noite cai em minha cidade.
Luzes ofuscam as estrelas postas ali uma por uma.
É como se tudo o que existisse fosse montado a cada dia de uma forma diferente.
Olho o que há em minha volta.
Não consigo me satisfazer com que vejo.
Tudo que constroem apagam a beleza que é montada pela natureza todos os dias.
Eu respiro fundo..
Os ventos estão mais densos, não são os mesmos ventos em que enfeitaram minhas noites no passado.
Olho o chão de minha casa..
Não é o mesmo chão em que imagino nos meus sonhos.
Não tem grama, nem montanhas, nem flores, nem árvores.
Não tem a cantoria matinal dos pássaros, nem o céu limpo como em desenhos de quando era criança.
Não tem o silêncio da manhã em que deveria ser respeitado, nem o barulho frenético das noites no campo.
Ah...
Tem pessoas, alias aquilo são pessoas ?
Pra mim, mais parecem protótipos vindos de uma fábrica onde exigem total objetividade.
Não respiram mais do que é permitido, não aprendem mais do que é pedido.
Não piscam, não amam, não vivem.
Vejo animais na rua, alias restos de animais..
Porque a fábrica de humanos como havia dito, não permitem amor a animais.
São jogados como lixo por entre ruas escuras e abandonadas.
São recebidas em casas, são amadas por instantes e logo jogadas ao vento.
É época de Natal..
Não vejo mais famílias, nem casas enfeitadas.
Não vejo milhares de carros parados na rua quando é ano novo.
Não vejo nem se quer as crianças pedindo doces no primeiro dia de mais um ano novo como de costume.
É estranho não ?
É tudo diferente da vida em que está acomodado ?

Contrassenso

Vamos menina.
O dia já amanheceu.
Se oponha ao sistema pré-estabelecido.
Sorria.
Reveja o que é senso.
Não se obstrua dentre os ventos do amanhecer.
Queire flutuar acima de nossas cabeças.
Reflita os dizeres do passado.
Não se canse, por favor..
É só testar a capacidade de todos.
É só libertar algo que vem sendo oprimido desde os tempos antigos.
Não deixe nada passar em branco.
Queira a verdade e jamais se cale diante de duas ou mais sombras.

Bom moço atual

Acordo cedo e ligo a televisão, a essa hora só passa noticiários, a cada canal que passo é inevitável ver a lástima que ocorre ainda mais nos tempos de hoje.
É como se a mídia não propõe um colóquio a todos, mas apenas corroem nossas mentes, tornando nossas fantasias reais mas obstruindo a "face" do nosso mundo. Ah cada minuto há pessoas que matam, roubam e destroem por prazer, decidem por si mesmo o futuro de milhares de famílias. E logo em seguida vem aqueles que com um sorriso sarcástico e uma cara de bom moço roubam e matam indiretamente famílias e famílias por ai, e sempre com a mesma frase de "vou ajudar nosso país".

A pequena

Ao fechar os olhos a pequena menina sente uma angústia dentro daquele corpo vazio.
Ao olhar o céu sente a angústia dentro de si por ser tão tola por tanto tempo, ser tão pequena aos olhos do mundo e seus habitantes. Sente-se confusa com o amor, as pessoas, o dinheiro, a vida e a morte.
Não sabe como procurar seus refúgios pois não sabe nem seus problemas, sente falta de algo que jamais saberá por qual razão não se pode conquistar.
Olha ao seu redor.. Respire pequena é só uma fase, seus pensamentos são pequenos para suas atitudes.. e a vivência ?
Bom, a vivência a gente coloca na bagagem e segue adiante.