Ando pelas ruas monótonas da manhã de domingo. Compro meu café na padaria do seu José, onde a sete anos compro em todos os domingos o mesmo café e o jornal. Sento na mesa mais afastada do balcão porque sei que dali alguns minutos começa o movimento do lugar, começo a ler as notícias do jornal enquanto dou uns goles no terrível café de seu José- que alias de uns dois anos pra cá o café só vem piorando cada vez mais, não sei porque encisto em vir tomar café bem aqui se do outro lado da rua tem uma nova cafeteria em que todos comentam - volto a prestar atenção nas notícias da cidade.
Mas já não aguento mais ler sobre as mesmas coisas da cidade, parece que o jornal não é renovado todos os dias, e então vou direto a parte onde mostra as melhores peças de teatro, sempre tenho a esperança de vê-la novamente por ali.
Folheio as páginas mas nada encontro, acabo de tomar meu café e vou embora, o lugar já começou a encher - odeio lugares cheio de pessoas - grito para seu José marcar na conta mais uma vez. Ó pobre do seu José, ele sim é um homem paciente com seus clientes, sei que devo a ele, e um dia o pagarei, até esse dia ainda vou toma uns goles de café nos domingos que há de vir por ai.
Sento na praça, o sol começa a se abrir e tirar aquele vento frio das manhãs de domingo, tenho que ir embora logo, as mães irão chegar com aquelas terríveis crianças barulhentas que não respeitam o silêncio da manhã. Me levanto e vou até o bar, como todo domingo lá está o filho do seu João dando comida para os cachorros da rua e abrindo as portas do bar, mas há algo novo naquele bar por hoje, há uma moça, uma pequena moça de cabelos castanhos e olhos amendoados, nova e cheia de vida, peço um maço de cigarro para ela, quem será ela ? Me lembra tanto a minha amada que perdi a sete anos atrás, enquanto admiro o entusiasmo da menina que baila por entre as mesas, ela pergunta qual é o cigarro que quero.. É tão estranho porque venho a muito tempo comprar cigarros aqui desde que seu José desistiu de vendê-los para mim e a tanto tempo ninguém me pergunta nada, apenas me dá o maço e vira as costas para atender alguém "mais interessante", peço um Carlton vermelho, ela abre um sorriso e me diz o preço.. Como se cobra-se o cigarro, a muito tempo ninguém me cobra mais nada. Mas logo o filho do seu João grita para ela que não adiantaria nem cobrar.
Ela me olha profundamente e diz que está tudo bem, e que da próxima vez eu pagaria à ela - próxima vez ? Mal sabe ela que a cinco anos eu não pago este bar - sento para fora do bar e fico olhando as pessoas passarem pela rua, todas cheias de vidas e alegres.
A mocinha dos olhos amendoados sentou-se ao meu lado e disse:
- Me desculpe pelo meu irmão dizer assim do senhor, sei que pagará para mim.
E me senti na obrigação de pagar á ela, mas não era uma obrigação chata em que me cobrava, mas algo inocente. Seu que daquele domingo em diante algo mudou.
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